Resumo: A pergunta: "Que podem professoras(es) de Matemática não indígenas (des)aprender com Educação Intercultural Indígena?" abre portas para tensionar as bases tradicionais da Educação Matemática escolar. Em vez de tratar a Matemática como um conhecimento universal, neutro e descontextualizado, a discussão proposta será evidenciar que todo conhecimento é produzido em contextos culturais específicos. A Educação Intercultural Indígena, nesse sentido, revela outras formas de produzir, validar e ensinar saberes, deslocando a centralidade de perspectivas eurocêntricas que historicamente estruturam o currículo escolar, por isto partimos desta experiência educacional para (des)aprender como professoras(es) não indígenas sobre outras formas de ensinar matemáticas, indo além da sala de aula e dos livros didáticos, para nos conectar com a vida envolvendo experiências situadas, corporais e coletivas. Com isto aponta-se a necessidade de uma postura ética e política das(os) professoras(es) não indígenas, baseada na escuta, no diálogo e no reconhecimento da diferença. Aprender com a Educação Intercultural Indígena não significa apropriar-se de práticas ou conteúdos, mas sim questionar certezas, abrir-se à pluralidade epistemológica e construir relações pedagógicas mais horizontais. Assim, as(os) professoras(os) de Matemática são convidados para repensar sua própria formação e prática, reconhecendo que ensinar matemática pode ser também um exercício de resistência, de valorização da diversidade e de construção de outros modos de existir e conhecer no mundo.






